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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Exposição ocupacional à radiação ionizante em ambiente hospitalar

Saúde e Trabalho

Rita de Cássia Flor
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde. Programa de Pós-Graduação em Enfermagem.

O trabalhador de saúde encontra-se exposto a diversas cargas de trabalho no ambiente hospitalar, entre elas a carga física de radiação ionizante, objeto deste estudo, o qual foi realizado em um hospital público de Santa Catarina, em uma abordagem qualitativa. O objetivo deste estudo foi analisar o processo de trabalho com trabalhadores expostos à radiação ionizante na Unidade de Terapia intensiva (UTI) neonatal e geral, no centro cirúrgico e no setor de diagnose complementar, assim como construir com os trabalhadores medidas de radioproteção de acordo com o contexto de trabalho encontrado. O referencial teórico está composto pela teoria do processo de trabalho aplicado à saúde, a qual dá sustentação ao estudo do trabalho com radiação ionizante e suas cargas de trabalho e ao processo saúde doença no uso das radiações ionizantes na saúde. A metodologia fundamentou-se nos pressupostos do Modelo Operário Italiano (MOI), ou seja, a valorização da experiência e subjetividade dos trabalhadores, a validação consensual das informações, a formação dos grupos homogêneos e a não delegação da produção do conhecimento. Seguindo esses pressupostos foram constituídos quatro grupos homogêneos, perfazendo o total de 32 participantes que responderam a uma entrevista coletiva, seguida de análise documental e de monitoração das áreas estudadas. Os resultados mostraram que os profissionais de saúde dos setores pesquisados expõem-se às radiações ionizantes, devido, principalmente, às condições dos clientes que necessitam de avaliação constante da função respiratória mediante exames radiológicos nos leitos, assim como pela assistência em determinados procedimentos, como instrumentar e auxiliar em cirurgias ortopédica e urológica guiada por equipamentos emissores de radiação, bem como pela falta de conhecimento no que tange à radioproteção. Diante dessas constatações foram validadas pelos grupos homogêneos medidas de prevenção a essas exposições de modo a minimizar possíveis efeitos biológicos das radiações ionizantes. Assim foram sugeridos: colocação de biombos de chumbo na UTI geral, no centro cirúrgico e na UTI neonatal; implantação de programa de educação permanente com temas relativos à radioproteção; controle ocupacional semestral como preceitua a legislação para os profissionais expostos à radiação ionizante; contratação de um profissional físico nuclear para tratar dos assuntos referentes à radioproteção na instituição; monitoração individual dos trabalhadores do centro cirúrgico; rodízio com as equipes de cirurgias ortopédicas e urológicas e, por fim, que seja avaliada, periodicamente, a necessidade dos exames radiológicos nos leitos, em conjunto com os trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente nessa exposição.

sábado, 8 de novembro de 2008

ALAGOAS: CAOS ANUNCIADO

"Está um inferno trabalhar no HGE". A frase, dita por uma médica em telefonema ao presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Wellington Galvão, resume a situação de caos em que se encontra hoje o mais novo hospital alagoano: o Hospital Geral do Estado. No contato com Galvão, a médica concursada informava da decisão de pedir demissão do Estado. "Não agüento, é uma sobrecarga desumana de trabalho. Vou terminar enfartando", justificou.

Desde o anúncio do projeto do HGE e durante o período de obras, o SINMED sempre alertou para a necessidade de realização de concurso para a contratação de pessoal – médicos e demais profissionais imprescindíveis ao funcionamento de uma unidade de saúde – além de cobrar a melhoria salarial para a categoria.

Os apelos foram ignorados e a situação de hoje é conseqüência do descaso oficial. Faltam médicos de todas as áreas clínicas. A internação de observação virou UTI, onde médicos sem formação em terapia intensiva estão "virando intensivistas" e vendo pacientes morrendo, um após o outro. ‘É difícil se manter saudável nessas condições. E quem quer adoecer ou morrer trabalhando desse jeito para ganhar um salário miserável? O governo que se prepare, pois vai ter muito médico pedindo demissão. A situação vai ficar insustentável”, adverte o presidente do SINMED. Além da falta de pessoal, o hospital está desabastecido. Falta o básico, como descartáveis, medicamentos e até alimentação para os doentes. Aconteceu o que parecia impossível: o HGE consegue ser pior do que a antiga Unidade de Emergência. Luvas, fio de sutura, antibióticos são alguns artigos de luxo improváveis de se encontrar no HGE.

Para o presidente do SINMED, o problema é administrativo. "O governo está apostando no caos. É lamentável, pois sofrem os médicos e sofre a população. Mas os médicos têm a opção de trabalhar fora da rede pública. Os usuários vão continuar morrendo por falta de assistência", disse Wellington Galvão.

Fonte: Imprensa SINMED ALAGOAS

Saúde na Amazônia: Em Novo Progresso é proibido reclamar



Pelo andar da carruagem da saúde amazônica tem sido difícil trabalhar na região sem debater carências e saídas para solucioná-las. À falta de recursos o profissional está proibido de se queixar. E fica sujeito até mesmo a demissão, como se percebe na situação da Prefeitura de Novo Progresso, às margens da BR-163, a 1,6 mil quilômetros de Belém do Pará.

Depois de trabalhar por dez anos em Joinville (SC) a reumatologista Margareth Liez Saad mudou-se para Amazônia. Passou quatro anos em alguns municípios mato-grossenses e há dez meses se dedica à saúde pública em Novo Progresso.

Ao site Escolas Médicas ela lamentou a impossibilidade de se criticar a situação da saúde local. Disse mais: “O salário é o mesmo que eu estaria ganhando numa cidade maior, com algum tipo de lazer, já que aqui não há nada. Eu e um colega aproveitamos a rara presença de promotor de justiça na cidade para notificarmos que, apesar de trabalharmos com cerca de 40 mil habitantes, doenças graves como hantavirose aparecem quase todas as semanas, mas não temos sequer um desfibrilador ou um respirador para transportar esses casos”.

Mexeu no vespeiro. O prefeito Tony Fábio Rodrigues não gostou nem um pouco de ouvir essa constatação da realidade. Bastou os médicos entrarem no Fórum e foram “premiados” numa lista de demissões. Imediatamente, trancou o salário de julho, agosto e até 14 de setembro de 2008 Margareth estava demitida, apesar de ser período eleitoral e de ter sido concursada em primeiro lugar. "Dá para trabalhar na Amazônia sem leis?”, ela pergunta. Senti o desabafo, porque venho mostrando a falta de médicos na região e a necessidade de os profissionais formados no sul, sudeste e centro-oeste optarem pela medicina em estados tão carentes quanto o Acre, Amapá, Rondônia, Amazonas, Mato Grosso, Roraima e Tocantins.

A despeito dos esforços do prefeito em melhorar a saúde pública, há outros problemas a resolver, daí a necessidade do diálogo produtivo. Operações do Ibama revelam o patrimônio ambiental depredado por centenas de madeireiras “fantasmas” em Novo Progresso, Trairão, Uruará, Itaituba e Altamira. Elas totalizam a perda de 3,6 mil árvores/mês de mogno, jatobá, ipê, angelim e massaranduba.

O assoreamento de rios e igarapés, as agressões à fauna e o incremento da biopirataria na região são igualmente carentes de ações enérgicas, a partir do mando das próprias autoridades locais. São elas que continuarão vivendo ali e se sujeitarão às conseqüências dos possíveis – alguns já anunciados – desastres ambientais.

Há três anos, a Polícia Federal e o Exército localizaram no município um cemitério clandestino com diversas ossadas. jogadas numa vala comum, depois de queimados os cadáveres. Eram de sem-terra, pistoleiros? A região é dominada por madeireiros.

Nada contra esses cidadãos trabalhadores que pagam impostos, têm famílias e dão emprego. Apenas enfatizo que entre eles existem os mais gananciosos e até perigosos, capazes de tudo fazer para sustentar a exploração predatória e se livrar do incômodo que lhes cerca nesses confins.

Tão preocupado deve estar o prefeito, que cede à vazão de tricas e futricas de quintal e volta suas baterias contra aqueles cuja maior missão é levar saúde a quem dela precisa nesse rico município paraense.

Francamente, há mais com que se preocupar. Melhor reciclar-se.