domingo, 29 de março de 2009

HUMANIZAÇÃO EM UTI

O núcleo familiar deve ser compreendido como uma unidade, um sistema que possui leis internas de funcionamento e organização. Quando um membro da família é hospitalizado ou fica doente, o equilíbrio e os papéis ocupados por cada um são afetados. A doença grave pode precipitar a desestruturação familiar e eclodir antigos conflitos que permaneciam latentes, diante disto é necessário entender as reais necessidades dos familiares para poder auxiliá-los.

A família deve ser vista como um paciente secundário para a instituição hospitalar. Muitas vezes esta chega na UTI insegura, desconfiada e com medo, sintomas esses compreendidos pela falta de vínculo e informação. Faz-se necessário nesse primeiro contato um acolhimento humanizado juntamente com a compreensão dos sentimentos trazidos pelo sistema familiar. Cuidar do “paciente secundário” é uma sobrecarga para a equipe, porém um contato inicial bem sucedido poderá minimizar conflitos futuros.

A situação de crise vivida pelos familiares de pacientes internados em UTI pode ser exemplificada pela desorganização das relações interpessoais devido ao isolamento do paciente, problemas financeiros e medo da perda da pessoa amada. Halm et cols (1993) demonstraram que o nível de estresse na família é mais alto no momento da admissão, começando a se estabilizar no sexto dia e decaindo consideravelmente perto do 28º dia. Estes achados sugerem que a intervenção com os familiares deva ocorrer na fase inicial da internação.

Para Wallace (1989) refere que o tempo requerido para o ajustamento familiar após a internação em UTI é influenciado pelas seguintes características: 1) idade e importância do paciente para a família, 2) número de membros da família diretamente envolvidos; 3) relações individuais dentro da família; 4) quantidade de estresse interpessoal no momento da crise; 5) estabilidade psicológica geral do sistema familiar.

E importante que se compreenda que as crises e desajustes no sistema familiar são comuns nas UTIs e estes precisam se sentir compreendidos, seguros e com suas dúvidas esclarecidas. Se antecipar e promover o “holding” familiar, poderá impedir que este desajustamento seja projetado para a própria equipe.

Psic. Raquel Pusch de Souza
Curitiba - PR
Presidente do Dept. Psicologia AMIB

sexta-feira, 13 de março de 2009

Ruídos: um desafio a ser vencido

Em meados do século XVIII, a Revolução Industrial consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com um profundo impacto no processo produtivo, tanto econômico quanto social. Iniciada na Inglaterra, a Revolução teve ao longo do processo, a substituição da era agrícola. A enxada foi superada pela máquina e as transformações ocorreram e ocorrem até o vigente sistema que conhecemos. Com o vindo da tecnologia, a poluição sonora ambiental tornou-se um problema e torna-se hoje onipresente e beira o intolerável. Em 1973, Falk e Woods, em uma publicação no New England, garatiam que estavamos totalmente expostos aos ruídos, afirmando que não há locais livres. Há ruídos presentes durante nossas raras e modestas horas de laser, em casa, nas ruas, no trabalho… Enfim, estamos constantemente expostos.E os Hospiatais? E a Terapia Intensiva? Causaria surpresa acharmos que os hospitais estariam livres. Publicações não tão recentes, feitas por Kam e colaboradores, em publicação da Anaesthesia, alertavam que devido aos avanços tecnológicos, o níveis de ruídos potencialmente danosos estariam aumentando. Além do mais, a grande maioria dos hospitais estão localizados em áreas expostas a fontes de ruído externo, como o trânsito. Possivelmente, consideramos somente os fatores externos, mas muito do ruído no hospital provém mais de dentro, do que de fora desse ambiente. Para termos uma idéia, as principais causas de ruído em UTI snao os equipamentos e a conversação entre a equipe multiprofissional, que acabam prejudicando tanto as funções laborativas da equipe, quanto a recuperação dos pacientes internados. Sabemos que a tecnologia está imbuída no cotidiano da Terapia Intensiva, sendo quase um sinônimo do cuidar. Habitualmente, são empregados equipamentos cada vez mais digitalizados e providos de alarmes acústicos, essenciais para alerter-nos de mudanças nas condições hemodinâmicas ou mau funcionamento dos aparelhos. Dentre inúmeros exemplos de geradores de ruído, citam-se: aspiradores, monitores, oxímetros, ventiladores, saídas de oxigênio e ar comprimido, computadores, impressoras, aparelho de fax e telefones, celulares, movimentação de móveis, carrinho de banho, máquina de diálise, o diálogo dos profissionais entre si e com os pacientes. Assim, como mostrou o estudo Noise in ICU (Intensive Care Medicine), esse ambiente, que deveria ser silencioso e tranqüilo, torna-se ruidoso e estressante, aumentando a ansiedade e a percepção dolorosa do paciente, diminuindo o sono e prolongando a convalescença. O ruído afeta o estado psicológico dos indivíduos que estão dentro da UTI, causando perturbação do sono e desorientação nos pacientes, além de aumentar a ansiedade nos colaboradores. Topf, afirma que o ruído é uma das causas que podem desencadear o Burnout na equipe. Quanto aos níveis recomendáveis de ruído, a United States Environmental Protection Agency rpreconiza que os níveis de ruído em hospitais não devem exceder 45 dB no período diurno e 35 dB no período noturno. Já a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT-NBR) recomenda 35 a 45 dB como níveis aceitáveis para diferentes ambientes hospitalares. Estes limites são tranqüilamente e freqüentemente ultrapassados, gerando distúrbios fisiológicos e psicológicos. Desta forma, determinar a amplitude do ruído da UTI é fundamental para que se possa quantificar o problema e propor medidas que visem sua diminuição.Como os níveis de ruído variam de maneira aleatória no tempo, costuma-se medir este nível equivalente (Leq), expresso em dB, que representa a média da energia sonora durante um intervalo de tempo. Minckley (Nurs Res) afirma que geralmente os níveis de ruído em um hospital encontra-se entre 40 e 50 dB; e no ambiente ruidoso, como a terapia intensiva, estaria na margem de 60 a 70 dB. Vários estudos têm demonstrado índices elevados de ruído. Em uma UTI na Áustria, esse índice manteve-se entre 60 e 65 dB. No hospital da Universidade de Valencia, Espanha os níveis sonoros excederam 55 dB, e 68,0 na UTI de um hospital em Manitoba, Canadá. Tais dados mostra-nos que a poluição sonora na Terapia Intensiva não é apenas um problema limitado a um único país ou a uma única cultura. Os níveis de ruído também podem ser analisados através das medidas de suas fontes geradoras como: discussões da equipe hospitalar e quedas de objetos no chão (principalmente metálicos) atingem valores de 75 a 92 dB, o alarme dos respiradores registram 49 a 72 dB. Grumet e colaboradores em artigo ao New England, sugerem que pacientes submetidos a internações em UTI podem apresentar distúrbios comportamentais, entre eles a "Psicose de UTI", que são exacerbados pela privação do sono e gerados por condições ambientais, entre eles a exposição a ruídos contínuos. Cabe ressaltar, que medidas simples como fechar as portas, falar suavemente e desligar alarmes assim que possível, podem reduzir drasticamente os níveis de ruído. Com isso, a contribuição de cada um deve ser estabelecida de modo que medidas mais eficientes para a redução de ruídos possam ser adotadas, pois ofertar uma assistência que provenha a melhor tecnologia de saberes, procedimentos e equipamentos, conjugada ao acolhimento das necessidades intersubjetivas dos pacientes e dos profissionais, além do reconhecimento das lógicas culturais dos familiares (que permitem a interpretação da hospitalização), sendo hoje um dos grandes desafios da atenção em saúde.

Renata Andréa Pietro P. VianaPresidente do Departamento de Enfermagem AMIBChefe do Serviço de Terapia Intensiva HSPE

sábado, 21 de fevereiro de 2009

THE CHECKLIST

Esse artigo foi publicado na revista The New Yorker em 2007. O autor começa com a descrição de uma criança de três anos que ficou submersa na água gelada dos Alpes por quase quarenta minutos, sendo resgatada em hipotermia grave e em estado desesperador - foi necessário reaquecimento meticuloso, circulação extracorpórea, monitorização da pressão intracraniana e diálise - e como estamos envolvidos em complexidade dentro da medicina intensiva sem nem ao menos nos darmos conta.
A cada dia, nos EUA, 90.000 pessoas estão internadas em terapia intensiva. Em média, 178 ações são realizadas em cada paciente por dia por médicos e enfermeiros. Se apenas 1% dessas ações for errônea, são cometidos 2 erros/paciente/dia. Em uma conta simples, podemos esperar 180000 erros/dia em pacientes de terapia intensiva nos EUA.
Em Outubro/1935 no Campo Aéreo Wright em Dayton, Ohio, houve um vôo de demonstração do modelo 299 da Boeing - que seria o B-17. A demonstração seria apenas figurativa, porque o avião era tão superior aos concorrentes que era certa a sua compra pelo exército dos EUA. Logo após a decolagem, o avião caiu, matando 2 dos 5 tripulantes, incluindo o piloto. Por que? Porque era tão complexo, tão cheio de comandos e ações, que tornou-se impossível para um piloto dar conta de todas essa complexidade dentro do avião. A Boeing quase foi a falência após esse episódio.
A partir disso, foi instituído um checklist com orientações padronizadas de decolagem, vôo e aterrissagem. Após o início do checklist, os pilotos puderam voar mais de 2.896.819 Km sem um único acidente.
Será que a medicina intensiva já não entrou na sua fase B-17? Quanta complexidade um profissional de saúde pode lidar sem causar erros? E sob pressão, cansaço, stress? Qual o grau de iatrogenia que estamos causando aos nossos pacientes por não adotar práticas padronizadas?
E, apenas para concluir, a menina vítima de hipotermia sobreviveu sem seqüelas - em grande parte, graças a adoção de um recém-instituído checklist para tratamento de pacientes vítimas de hipotermia grave.

Cássia Righy



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Projeto Cooperativas de Trabalho

Senadora recebe entidades para discutir o tema

A senadora Serys Slhssarenko (PT-MT) recebeu nesta terça-feira (10/02) a Comissão de Cooperativismo Médico do Conselho Federal de Medicina. A Comissão - composta pelo CFM, Fenam e AMB - solicitou uma agenda de trabalho para discutir o PLC 131/2008, que dispõe sobre a organização e o funcionamento das Cooperativas de Trabalho.

O coordenador da Comissão, Hiran Gallo, destacou a receptividade da senadora em dialogar com as entidades médicas, colocando a sua assessoria para discutir o projeto como um todo.

Atualmente no Brasil estima-se que mais de 150 mil médicos estejam ligados às cooperativas de trabalho médico.

Fonte: Conselho Federal de Medicina - CFM

Em: 13/2/2009



Regionais e Cooperativas

Parceria bem sucedida

Caso bem-sucedido de trabalho conjunto é o da Sociedade Amazonense de Terapia Intensiva (SATI) com a Cooperativa Amazonense de Terapia Intensiva (COOPATI), que presta serviço para as UTIs pública de Manaus (AM). O Dr. Wilson de Oliveira Filho, presidente da SATI, que concorda com as vantagens citadas pela Dra. Dyanne, acrescenta que a parceria, além de favorecer a educação continuada, pois a cooperativa financia os cursos aos cooperados, permite a uniformização de condutas dentro das Unidades de Terapia Intensiva. "Temos um grupo de médicos coeso, que atua em sintonia, com procedimentos padronizados, que têm como consequência a melhoria na qualidade do atendimento aos pacientes críticos", explica.

O Dr. Eugênio Tavares, presidente da COOPATI, concorda com o presidente da SATI e destaca que a parceira, que promove uma integração para que as normas estabelecidas na Terapia Intensiva sejam implantadas e obedecidas, oferece melhoria nas condições de trabalho e na formação profissional. "Além disso, incentivamos a titulação de todos os cooperados e nos empenhamos em informar as outras regionais das necessidades e realidade da Terapia Intensiva em Manaus".

O presidente da COOPATI ressalta ainda que, atualmente a Terapia Intensiva (Adulto e Criança), está consolidada em Manaus (AM). "Esse fator deve-se a um trabalho sério, realizado com responsabilidade, junto aos médicos, órgãos governamentais e entidades civis, que mostra à sociedade a grande necessidade e a importância de salvar vidas e ou diminuir sofrimento de nossa população", finaliza o Dr. Tavares.



sábado, 7 de fevereiro de 2009

Denúncia: PSF serve de moeda política

Sem fiscalização ou prestação de contas, prefeitos eleitos e gestores municipais da saúde mandam e desmandam na contratação e demissão de profissionais que atuam no Programa de Saúde da Família (PSF) pelo interior do estado. O programa teria se tornado moeda de troca política e com a mudança de mandatários na gestão municipal, a afinidade partidário é o único critério para a permanência do profissional. Quem faz a denúncia é o presidente do Sindicato dos Odontologistas do RN (Soern), Ivan Tavares de Farias Júnior. ‘‘É preciso parar com essa prática centenária de amedrontar os profissionais com a demissão só porque eles têm outra opção política. Ninguém está preocupado com o paciente’’, afirma.

‘‘O profissional que atua no PSF passou a ser massa de manobra dos políticos. Os sindicatos não podem ficar parados diante dessa situação de Prefeituras demitindo funcionários porque tem apadrinhados querendo ocupar essas vagas. Muitos são postos para fora, em todas as categorias, e a população não reage. Queremos provocar uma reação política para que as autoridades tomem uma atitude e impeçam esse abuso de poder’’.

De acordo com o dirigente, na maioria dos municípios, esses profissionais são contratados por meio de um contrato de prestação de serviço, de caráter temporário e sem vínculo empregatício, renovados anualmente, o que não lhes garantiria direitos trabalhistas. ‘‘Eles não são concursados, mas existe sim o vínculo empregatício. Estamos fazendo um trabalho com o Ministério da Saúde para que os prefeitos paguem os direitos trabalhistas dessas pessoas’’.

O chefe da divisão do Ministério da Saúde no Rio Grande do Norte, Antônio Francisco Araújo, explica que não faz parte da competência da divisão a fiscalização dos gestores do PSF. ‘‘Sabemos que essa prática continua no interior do estado, fazendo com que os profissionais fiquem a mercê de qualquer gestor ou prefeito. A questão é: será que essas pessoas estão tendo suas carteiras de trabalho assinadas e os seus direitos trabalhistas garantidos? Na minha opinião, isso não pode existir, é um erro grave, pois interrompe o bom andamento do serviço desenvolvido na cidade. Os profissionais que chegam não sabem como funciona o PSF, todo trabalho tem que ser iniciado novamente’’.

A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) informou que o órgão não tem nenhuma gerência sobre o PSF, oferecendo apenas suporte ao programa, uma vez que o PSF é de um pacto direto entre os municípios envolvidos e o Ministério da Saúde.

FUNCIONAMENTO

O Programa de Saúde da Família foi lançado pelo Ministério da Saúde em 1994, como política nacional de atenção básica, fazendo frente ao modelo tradicional de assistência primária baseada em profissionais médicos especialistas. O programa prevê uma equipe multiprofissional responsável por, no máximo, 4 mil habitantes. Esta equipe, composta minimamente por médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem (ou técnico de enfermagem) e agentes comunitários de saúde.

Ivan Tavares explica que médicos e enfermeiros participam apenas do PSF, mas que os odontologistas podem optar ainda por atuar nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), frutos do programa federal Brasil Sorridente. ‘‘Para esses municípios, o valor desse atendimento feito pelo PSF ou no CEO é muito maior que aquele que seria feito num posto de saúde. A amplitude do atendimento e o ganho para a população é incalculável. O município se beneficia com o programa em si, voltado para a prevenção da saúde e propaganda ostensiva contra o câncer’’.



Fonte: Fabio Cortez - Diário de Natal

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

DEXMEDETOMIDINE x MIDAZOLAM

Dexmedetomidine vs Midazolam for Sedation of Critically Ill Patients - A Randomized Trial
Riker RR, Shehabi Y, Bokesch PM, et al. for the SEDCOM (Safety and Efficacy of Dexmedetomidine Compared with Midazolam) Study Group.
JAMA. 2009; 301(5): (doi:10.1001/jama.2009.56).

Neste ensaio randomizado, quando compara-se midazolam com dexmedetomidina para se atingir um alvo de sedação para RASS -2 até +1, viu-se que o grupo da dexmedetomidina evoluiu com menos delirium, menos tempo em ventilação mecânica, menos taquicardia e hipertensão.
O tempo na sedação alvo excedeu 75% do tempo com ambas as medicações. O único efeito adverso relatado da medicação foi bradicardia.
Esse artigo mostrou que, mesmo quando aplicadas as regras ótimas de sedação (titulação da dose, despertar diário), a dexmedetomidina mostrou-se superior ao midazolam como sedativo. Outro aspecto interessante é que 61% dos pacientes utilizaram dose superior aos 0,7 mcg/Kg/h preconizados pelo fabricante (chegando a dose 1,4 mcg/Kg/h), sendo essa dose segura para a sedação de pacientes críticos.
No editorial escrito por Kress, ele diz que: "With the demonstration of the safety of dexmedetomidine at higher doses and for longer periods, clinicians now have a widened choice of sedatives and should always consider not only the need for sedation but also the possible clinical implications of the choice of sedative."

Cássia Righy

VII Congresso Norte-Nordeste de Medicina Intensiva

03 a 05 de junho de 2009 - São Luiz - Maranhão

Informações e inscrições

Telefone: +55 (98) 3268-4147 – ramal 04

E-mails:

sacadaeventos@uol.com.br
comissaocientificaconnemi2009@gmail.com
comissaoorganizadoraconnemi@gmail.com

sábado, 6 de dezembro de 2008

Jornada de Medicina Intensiva faz sucesso em Rondônia

Jornada faz SOTIRO crescer 235,71%
Regional é a primeira no ranking do crescimento

A realização da I Jornada Rondoniense de Medicina Intensiva – Atualização em Terapia Intensiva, que aconteceu em Porto Velho (RO), nos dias 28 e 29 de novembro, fez a Sociedade de Terapia Intensiva de Rondônia (SOTIRO) atingir o primeiro lugar no ranking de crescimento entre todas as filiadas da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Durante o evento, a regional conquistou 28 novos sócios, fazendo com que seu crescimento chegasse a 235,71% este ano, em comparação a 2007.

De acordo com A Dra. Flavia Fernandes, presidente da Jornada e 1ª Secretária da SOTIRO, ainda há em torno de 10 profissionais que devem associar-se nas próximas semanas. “Depois do evento, o número de sócios saltou de 19 para 47, confirmando o balanço altamente positivo. Durante o evento, contamos com a participação de cerca de 140 profissionais que atuam na Medicina Intensiva e acadêmica de Medicina, além de 30 inscritos que fizeram o curso de Enfermagem. “Esperávamos uma boa aceitação, mas a participação e o sucesso foram maiores do que o previsto”, conta.

A médica ressalta ainda que o evento foi muito bem recebido no meio médico, para-médico, acadêmico e muito bem visto aos olhos das autoridades governamentais. “Os comentários favoráveis foram inúmeros e recebemos apoio de vários setores antes, durante e depois da jornada. Pela primeira vez em Rondônia a SOTIRO realizou um evento com característica multidisciplinar. A sociedade sente-se muito orgulhosa com o sucesso do evento e tem a satisfação de ter visto plenamente cumprido o objetivo maior de construir pontes para o intercâmbio e conhecimento na especialidade e contribuir para o fortalecimento do segmento no estado”, complementa a Dra. Flavia.

O sucesso da jornada impulsionou também a realização de futuros eventos com foco multidisciplinar, como o II Congresso Regional de Medicina Intensiva de Rondônia, e a criação de um Centro Formador pelo Dr. Sergio Mello e Dr. Francisco Faig, que será coordenador responsável. “Sinto-me totalmente lisonjeado de fazer parte como pioneiro do Centro Formador de Terapia Intensiva, ao lado do Dr. Faig, médico de grande notoriedade por sua qualidade técnica e caráter. As atividades do centro devem ser iniciadas em março de 2009. Por enquanto, estamos providenciando junto a Secretaria de Saúde do estado, viabilização de recursos e iniciando um planejamento com aulas e protocolos direcionados ao residente e ao serviço. Além disso, continuamos fazendo o trabalho acadêmico que já existe junto a residentes de cirurgia, clínica médica, infectologia e internos da Federal de Rondônia”, conta o Dr. Mello, que, durante a jornada, foi moderador de três discussões diferentes.

O Dr. Faig acrescentou que, em primeiro lugar, é preciso agradecer o esforço da Dra. Flavia, que não mediu esforços para que o sucesso da jornada fosse alcançado. “O evento veio de encontro com as nossas necessidades, promovendo o conhecimento e atualização dos participantes. Permitiu ainda que conhecêssemos os diretores da AMIB, suas intenções no comando da entidade e a vontade em apoiar a SOTIRO em continuar a luta para formar profissionais voltados para a especialidade. O encontro possibilitou também que eles conhecessem a nossa realidade, nossas carências e dificuldades para vencer as etapas necessárias para tornarmos uma entidade representativa da classe intensivista”.

“Quanto ao Centro Formador em Medicina Intensiva, estarei pronto a dar todo meu esforço como colaborador, para que em breve isso seja uma realidade em Rondônia. Aproveito o momento para agradecer a todos os professores que aqui estiveram pelas excelentes aulas, pelo convívio amistoso e pelo apoio total as nossas solicitações”, complementou o Dr. Faig.

Segundo a Dra. Flavia, o estado terá outra novidade na área de formação. “Também faz parte dos planos da SOTIRO o Curso de Pós-Graduação em Medicina Intensiva, que deve ser iniciado em março de 2009 e tem por objetivo dar continuidade à capacitação do intensivista, com a coordenação do Dr. Carlos Roberto Vieira”.

Matéria copiada do site da AMIB:
http://www.amib.com.br/paginasdinamicas/controller?command=MontarPagina&id_pag=1326

sábado, 8 de novembro de 2008

STF assegura APOSENTADORIA ESPECIAL PARA MÉDICOS DO SERVIÇO PÚBLICO

Decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) assegura, a partir de agora, aposentadoria especial (25 anos de trabalho) para todos os servidores públicos que desenvolverem atividades de risco ou sob condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou integridade, o que inclui médicos.

Prevista na Constituição Federal de 1988, mas nunca regulamentada, a aposentadoria especial passou a ser possível devido ao julgamento pelo STF de um Mandado de Injunção, interposto por um servidor público do Distrito Federal, que pretendia ver a matéria regulada pelo Supremo.

Segundo o acórdão, publicado no dia 26 de setembro, inexistindo "disciplina específica da aposentadoria especial do servidor, impõe-se a adoção, via pronunciamento judicial, daquela própria aos trabalhadores em geral – artigo 57, § 1º, da Lei 8.213/91", que é a regra já aplicável aos trabalhadores do setor privado.

A Assessoria Jurídica do SIMERS esclarece que os médicos já podem solicitar o benefício. Informe-se pelos telefones do Sindicato – (51) 3027-3726 e 3027-3727 ou pelo simers@simers.org.br sobre a nova possibilidade.

Um detalhe importante: ao ter deferida qualquer aposentadoria, o médico servidor público tem obrigatoriamente de se afastar da carreira. Para voltar a atuar no serviço público, terá de fazer novo concurso.

Confira a íntegra do acórdão (decisão) do STF acessando: http://portal.fenam2.org.br/portal/showData/9844


Fonte : Imprensa SIMERS

Regulamentação do SOBREAVISO

Em março desse ano, o CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA decidiu regulamentar o sobreaviso médico, diante da crescente demanda por serviços especializados dessa natureza. A Resolução CFM nº. 1.834/2008, publicada no Diário Oficial da União de 14 de março de 2008 veio a esclarecer definitivamente esse ponto.

A regulamentação serve de subsídio para fortalecer o direito trabalhista do médico, ao qual a instituição de saúde tem que recorrer para manter o funcionamento regular de sua atividade-fim.O Artigo 1º. Define “como disponibilidade médica em sobreaviso a atividade do médico que permanece à disposição da instituição de saúde, de forma não-presencial, cumprindo jornada de trabalho pré-estabelecida, para ser requisitado, quando necessário, por qualquer meio ágil de comunicação, devendo ter condições de atendimento presencial quando solicitado em tempo hábil.” Diz ainda a Resolução: “-A disponibilidade médica em sobreaviso, conforme definido no Art.1º, deve ser remunerada de forma justa, sem prejuízo do recebimento dos honorários devidos ao médico pelos procedimentos praticados.”

A Resolução CFM 1.834/2008 estabelece entre suas principais definições:
1-É considerada disponibilidade médica em sobreaviso a atividade do médico que permanece à disposição da instituição de saúde (empregador), de forma não presencial, cumprindo jornada de trabalho pré-estabelecida (o tempo durante o qual ele tem a responsabilidade profissional de atender às solicitações do empregador – hospital, clínica ou outro serviço de atendimento).
2-A disponibilidade médica em sobreaviso deve ser remunerada de forma justa, sem prejuízo do recebimento dos honorários devidos ao médico pelos procedimentos praticados.
3-A remuneração da disponibilidade médica em sobreaviso deve ser estipulada previamente em valor acordado entre os médicos da escala de sobreaviso e a direção técnica da instituição de saúde, sendo pública ou privada.
4-Aos médicos do Corpo Clínico das instituições de saúde será facultado decidir livremente pela participação na escala de disponibilidade em sobreaviso, nas suas respectivas especialidades e áreas de atuação.

“Por regime de sobreaviso compreende-se o tempo em que o trabalhador permanecer em sua própria casa, aguardando a qualquer momento o chamado para o serviço’, por meio de escala.” A vinculação empregatícia do médico em regime de sobreaviso obedece aos termos do Artigo 244 da CLT, §2º. “Cada escala será, no máximo, de vinte e quatro horas, enquanto as horas de sobreaviso serão contadas à razão de 1/3 do salário normal.”

“Na área medica, o regime de sobreaviso caracteriza-se pela disponibilidade de especialistas, fora da instituição, alcançáveis quando chamados para atender pacientes que lhes são destinados, estando o médico escalado para tanto, obrigado a se deslocar até o hospital para atender casos de emergência, realizar cirurgias, procedimentos diagnósticos e internações clínicas, devendo ser devidamente remunerado, quer pelo SUS, por convênios em geral ou mesmo por pacientes particulares.” (Fonte: Dr. Erial Lopes de Haro, assessor jurídico do Sindicato dos Médicos de Santa Catarina).


CONCLUSÃO: 1-Sobreaviso gera vínculo empregatício (CLT), como o plantão. 2-Além da remuneração própria pelo sobreaviso (Art. 244§2º da CLT), o médico tem o direito de receber pelos procedimentos que porventura realizar (seja do SUS, de planos de saúde -inclusive cooperativas UNIMED ou similares- ou de pacientes particulares).

ALAGOAS: CAOS ANUNCIADO

"Está um inferno trabalhar no HGE". A frase, dita por uma médica em telefonema ao presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Wellington Galvão, resume a situação de caos em que se encontra hoje o mais novo hospital alagoano: o Hospital Geral do Estado. No contato com Galvão, a médica concursada informava da decisão de pedir demissão do Estado. "Não agüento, é uma sobrecarga desumana de trabalho. Vou terminar enfartando", justificou.

Desde o anúncio do projeto do HGE e durante o período de obras, o SINMED sempre alertou para a necessidade de realização de concurso para a contratação de pessoal – médicos e demais profissionais imprescindíveis ao funcionamento de uma unidade de saúde – além de cobrar a melhoria salarial para a categoria.

Os apelos foram ignorados e a situação de hoje é conseqüência do descaso oficial. Faltam médicos de todas as áreas clínicas. A internação de observação virou UTI, onde médicos sem formação em terapia intensiva estão "virando intensivistas" e vendo pacientes morrendo, um após o outro. ‘É difícil se manter saudável nessas condições. E quem quer adoecer ou morrer trabalhando desse jeito para ganhar um salário miserável? O governo que se prepare, pois vai ter muito médico pedindo demissão. A situação vai ficar insustentável”, adverte o presidente do SINMED. Além da falta de pessoal, o hospital está desabastecido. Falta o básico, como descartáveis, medicamentos e até alimentação para os doentes. Aconteceu o que parecia impossível: o HGE consegue ser pior do que a antiga Unidade de Emergência. Luvas, fio de sutura, antibióticos são alguns artigos de luxo improváveis de se encontrar no HGE.

Para o presidente do SINMED, o problema é administrativo. "O governo está apostando no caos. É lamentável, pois sofrem os médicos e sofre a população. Mas os médicos têm a opção de trabalhar fora da rede pública. Os usuários vão continuar morrendo por falta de assistência", disse Wellington Galvão.

Fonte: Imprensa SINMED ALAGOAS

Saúde na Amazônia: Em Novo Progresso é proibido reclamar



Pelo andar da carruagem da saúde amazônica tem sido difícil trabalhar na região sem debater carências e saídas para solucioná-las. À falta de recursos o profissional está proibido de se queixar. E fica sujeito até mesmo a demissão, como se percebe na situação da Prefeitura de Novo Progresso, às margens da BR-163, a 1,6 mil quilômetros de Belém do Pará.

Depois de trabalhar por dez anos em Joinville (SC) a reumatologista Margareth Liez Saad mudou-se para Amazônia. Passou quatro anos em alguns municípios mato-grossenses e há dez meses se dedica à saúde pública em Novo Progresso.

Ao site Escolas Médicas ela lamentou a impossibilidade de se criticar a situação da saúde local. Disse mais: “O salário é o mesmo que eu estaria ganhando numa cidade maior, com algum tipo de lazer, já que aqui não há nada. Eu e um colega aproveitamos a rara presença de promotor de justiça na cidade para notificarmos que, apesar de trabalharmos com cerca de 40 mil habitantes, doenças graves como hantavirose aparecem quase todas as semanas, mas não temos sequer um desfibrilador ou um respirador para transportar esses casos”.

Mexeu no vespeiro. O prefeito Tony Fábio Rodrigues não gostou nem um pouco de ouvir essa constatação da realidade. Bastou os médicos entrarem no Fórum e foram “premiados” numa lista de demissões. Imediatamente, trancou o salário de julho, agosto e até 14 de setembro de 2008 Margareth estava demitida, apesar de ser período eleitoral e de ter sido concursada em primeiro lugar. "Dá para trabalhar na Amazônia sem leis?”, ela pergunta. Senti o desabafo, porque venho mostrando a falta de médicos na região e a necessidade de os profissionais formados no sul, sudeste e centro-oeste optarem pela medicina em estados tão carentes quanto o Acre, Amapá, Rondônia, Amazonas, Mato Grosso, Roraima e Tocantins.

A despeito dos esforços do prefeito em melhorar a saúde pública, há outros problemas a resolver, daí a necessidade do diálogo produtivo. Operações do Ibama revelam o patrimônio ambiental depredado por centenas de madeireiras “fantasmas” em Novo Progresso, Trairão, Uruará, Itaituba e Altamira. Elas totalizam a perda de 3,6 mil árvores/mês de mogno, jatobá, ipê, angelim e massaranduba.

O assoreamento de rios e igarapés, as agressões à fauna e o incremento da biopirataria na região são igualmente carentes de ações enérgicas, a partir do mando das próprias autoridades locais. São elas que continuarão vivendo ali e se sujeitarão às conseqüências dos possíveis – alguns já anunciados – desastres ambientais.

Há três anos, a Polícia Federal e o Exército localizaram no município um cemitério clandestino com diversas ossadas. jogadas numa vala comum, depois de queimados os cadáveres. Eram de sem-terra, pistoleiros? A região é dominada por madeireiros.

Nada contra esses cidadãos trabalhadores que pagam impostos, têm famílias e dão emprego. Apenas enfatizo que entre eles existem os mais gananciosos e até perigosos, capazes de tudo fazer para sustentar a exploração predatória e se livrar do incômodo que lhes cerca nesses confins.

Tão preocupado deve estar o prefeito, que cede à vazão de tricas e futricas de quintal e volta suas baterias contra aqueles cuja maior missão é levar saúde a quem dela precisa nesse rico município paraense.

Francamente, há mais com que se preocupar. Melhor reciclar-se.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Inquérito internacional sobre "Pneumonia Adquirida na Comunidade" - participe e divulgue na sua UTI

Caro Colega,

Vimos por este meio convidá-lo a participar neste inquérito internacional sobre "Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) grave: práticas de estratificação, diagnóstico e tratamento". Este inquérito pretende delinear o panorama atual da percepção da abordagem da PAC grave por médicos intensivistas, internistas, pneumologistas e de outras especialidades clínicas envolvidas no seu tratamento. Este inquérito será aplicado simultaneamente no Brasil, Portugal e Espanha e conta com o apoio de sociedades e organizações médicas locais.
O inquérito será disponibilizado por via eletrônica na internet e é totalmente anônimo, de modo a não permitir a sua identificação.
Ele é composto de três seções abordando diagnóstico, estratificação e tratamento. O preenchimento demora cerca de 10 minutos e as instruções estão na página inicial.
O inquérito ficará disponível na Internet no período de 15 de Outubro a 15 de Dezembro de 2008.
Ajude-nos a divulgá-lo. Quanto mais profissionais participarem, maior será a sua representatividade e melhor será a nossa capacidade de desenhar estudos futuros sobre estes temas que estejam de acordo com a realidade e as necessidades dos doentes com PAC grave.
Para ter acesso ao site com o inquérito clique no link abaixo e caso não consiga o acesso, copie e cole na barra de endereços do seu browser o seguinte endereço:

http://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=3b_2bD3oQYhC2Qqh62gbo8Uw_3d_3d

Muito obrigado pela sua participação.
Atenciosamente,

Comité Coordenador do Estudo

Jorge Salluh
Coordenador da UTI do Instituto Nacional de Câncer, RJ
Director da Divisão de Pesquisa da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB)
Coordenador da Brazilian Research in Intensive Care Network (BRICnet www.bricnet.org )

Thiago Lisboa
Critical Care Department, Joan XXIII University Hospital, University Rovira & Virgili, Institut Pere Virgili, CIBER Enfermedades Respiratorias, Tarragona, Spain.

Pedro Póvoa
Coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos Médicos, Hospital São Francisco Xavier, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental
Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal.